7 de dezembro de 2016

PSD: a deriva interna de quem está na Oposição


É um clássico dentro do PSD: virar-se para as questões fraturantes quando está na Oposição. Agora, ficámos todos a saber que Passos Coelho vai abrir o debate sobre a eutanásia no interior do partido. Depois do penoso caminho da governação Troika, depois da perda identitária da social democracia e de tanta guerra instalada na unidade “laranja”, pela São Caetano não há tema mais importante para o partido se assumir? O que mais assusta é saber que, tradicionalmente, o PSD é um partido que não assume estas causas. Para quem pretende ir a votos nas próximas legislativas e vencer a união das esquerdas, as prioridades pelas cúpulas laranjas andam invertidas. Dizemos nós, cá de baixo, da nossa pequenina visão.

Nota: o PSD continua, tradicionalmente, a dar-se mal no papel da Oposição. E era importante que pensasse bem em resolver esse problema que há muito lavra na sua identidade. 


6 de dezembro de 2016

Paulo Macedo: o bombeiro do regime


Depois do vendaval que assolou a Caixa Geral de Depósitos e da saída de toda a cúpula da administração, o Governo convidou um Homem que é chamado a apagar fogos sempre que a Pátria precisa dele. Da esquerda à direita, que é o mesmo que dizer PS e PSD, Paulo Macedo reúne consensos e é respeitado pelos homens que neste país comandam na política. Depois da revolução que fez no Fisco, tornando a máquina fiscal mais eficiente e oleada, Paulo Macedo deixou uma gestão intacta quando passou pelo ministério da Saúde. Agora chega à Caixa para cumprir um plano que não é seu, mas que tem de ser levado até ao fim sob pena de tornar o banco público num barril de pólvora no sistema financeiro português. Paulo Macedo deu provas ao país do que vale. É um gestor com cabeça fria, que sabe liderar equipas, que conhece bem as estruturas que comanda. Ao mesmo tempo é um homem sensível e com capacidade de abertura para enfrentar crises e superar desafios. É por isso que os portugueses podem e devem ficar tranquilos com o nome escolhido por António Costa. E com uma grande vantagem sobre todos os outros: sempre esteve acima dos partidos e das novelas partidárias. Sempre assumiu a missão de servir, o melhor que sabe, o país. Cidadãos desta fibra, escasseiam neste país! Houvesse mais Paulo Macedos por cá e teríamos seguramente um Estado mais eficiente e capaz de cumprir os seus deveres para com os contribuintes.


Crónica de 5 de dezembro na Antena Livre, 89.7 Abrantes. OUVIR.

5 de dezembro de 2016

Estará o comunismo português em mudança?


O PCP, reunido em conclave, no passado fim de semana, manteve não só a sua essência, de partido comunista ocidental - dos poucos que ainda resiste na Europa de forma coesa - mas revelou também ser capaz de se abrir à sociedade, mediante o seu importante e atual papel de parceiro parlamentar no Governo de António Costa. Talvez este seja o fator chave que explica esta aparente mudança na forma como comunica. Cumpridor de regras, vimos em Almada uma organização imaculada, onde nada falhou e tudo foi programado ao segundo. Jerónimo de Sousa foi consagrado líder inquestionável. Resta saber como se fará, dentro de anos, a inevitável renovação. Até lá veremos se a abertura comunista à sociedade civil se manterá. Nós por cá gostámos de ver. 

29 de novembro de 2016

Um ano de Governo


Este sábado o Governo de António Costa celebrou um ano de existência. Em Novembro de 2015 poucos eram aqueles que achariam que o atual elenco governativo durasse muito, sobretudo pelo pessimismo gerado em torno da maioria parlamentar de esquerda que suporta o Governo. O Presidente da República acha que não tem dúvidas e que o mais importante é que os portugueses vivam melhor e que haja rigor financeiro. Nós por cá concordamos mas temos muitas dúvidas sobre o rigor financeiro. É certo que queremos todos que os impostos baixem, que acabem as sobretaxas, que haja aumento de pensões, que o salário mínimo suba mais uns cêntimos e que as benesses regressem.
Contudo, é mesmo isto que agora queremos ou se as derrapagens vierem daqui a uns anos, preferimos de novo voltar à estaca zero? Um dos exemplos que nos vai sair caro, por andar para trás e para a frente, são as privatizações da área dos transportes. De quatro em quatro anos uns tentam privatizar, outros anexam a fatura ao Estado. É isto, que à semelhança de outras áreas, é preocupante. Um ano depois, a "geringonça", como Paulo Portas batizou este Governo, ainda funciona. Continuam a existir pontos comuns, mas também há divergências a registar pelo caminho no relacionamento do Governo PS com o PCP e o Bloco de Esquerda. Seja como for António Costa é um dos principais responsáveis por este caminho. A ele se deve o elogio do poder negocial à esquerda. E apesar de não sabermos se o que está a ser feito é o melhor, a verdade é que o país vive com o mais importante: estabilidade. Uma nota final para assinalar a morte de Fidel Castro, uma das personagens mais marcantes do século XX. Fidel foi um ditador, que fechou Cuba sobre si mesmo e remeteu durante décadas o povo à opressão. E, como ele próprio diz, a História o julgará. Porém, Fidel foi também o líder histórico de um país, símbolo maior do comunismo ocidental e que deixa marcas não só na sociedade cubana como na forma como o mundo se relacionou com o país. Foi um líder controverso, em que eu nunca me revi, sobretudo pela condução das políticas interna e externa do país. Um homem que ficou confinado a um tempo ideológico já morto. Que impôs um embargo com consequências mil para a ilha que ele achou que seria só dele. A morte do El Comandante simboliza também o momento pelo qual muitos cubanos e o mundo espera: o momento em que Cuba se abre ao Mundo!

Assim o desejamos.

Crónica de 28 de novembro, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.



26 de novembro de 2016

Fidel: o fim do comunismo ocidental? O último Comandante desaparece.


É, categoricamente, uma das figuras mais marcantes do século XX. Personagem central do Comunismo do Ocidente e que deixa marcas indeléveis não só na sociedade cubana como na forma como o mundo se relacionou com o país. Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, morreu esta sexta-feira, aos 90 anos. O El País chama-lhe «O Último Revolucinário», o The New York Times diz que perece agora o líder que desafiou 10 presidentes americanos. E desafiou o Mundo, acrescentamos nós. Fidel era muito mais que isto. Foi um líder controverso, em que eu nunca me revi, sobretudo pela condução da política interna e externa cubana. Um homem que ficou confinado a um tempo ideológico já morto. Que impôs um embargo com consequências mil para a ilha que ele achou que seria só dele. Seja como for, por estes dias, em que a sua morte faz notícia em todo o mundo, a verdade incontornável é só uma: marcou profundamente a identidade social cubana. E essa marca perdurará ainda por muitas e longas décadas. Chegou a hora de Cuba se abrir ao Mundo!

24 de novembro de 2016

O famigerado crédito ao consumo


De acordo com um relatório do Banco de Portugal, o crédito ao consumo regressa aos níveis pré-crise. Ante uma economia frágil como a nossa, que vai animando, a verdade é que é preocupante o elevado endividamento público e privado. Basta uma nova aragem caótica que nos faça mergulhar de novo na terra e gostava de saber onde vai isto tudo de novo parar. No caso dos particulares, é grave os níveis de endividamento no crédito ao consumo. O ministro das Finanças tem razão quando diz que o consumo interno anima, mas quando esse consumo é feito com o dinheiro dos outros, é que a coisa muda de figura.

Cadernos da vida.



Frase Platónica do Dia. Dos cadernos da Vida.

25 de novembro: a data que não pode ser esquecida!


No final do período revolucionário que se seguiu ao 25 de abril, Portugal esteve à beira de uma guerra civil. Depois de um período de disputa pelo poder político-militar, que abrange todo o verão de 1975, a verdade é que a democracia acabou por nascer de um parto difícil. Porque o 25 de novembro, esquecido nos manuais do ministério da Educação desde sempre, merece ser sempre lembrado. Celebra-se esta sexta-feira. 

15 de novembro de 2016

Trump: o choque do mundo.


Na semana que passou o Mundo parece ter endoidecido. E eu continuo sem perceber a razão. As redes sociais são hoje um lugar tóxico, onde se inflamam ódios, onde se fazem julgamentos antes sequer de a realidade provar que estamos certos. Na semana em que o mundo perdeu um dos maiores compositores e símbolos da música, Leonard Cohen, o mesmo mundo assistiu à eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Um candidato anti-sistema que nem dentro do próprio partido foi consensual. A vitória é sua. Durante a campanha não escondeu as ideias que defendia, nem como se iria relacionar com o país e o resto do mundo. A NATO, as relações com a Rússia, as alterações climáticas, a guerra com o México e a forma inflamada como falou de alguns grupos sociais são agora a preocupação da sociedade americana e do mundo. É certo que a sua inexperiência política, o seu lado mediático e a riqueza que conquistou ao longo da vida provocam incertezas sobre o futuro do país. Contudo, para os que ainda se questionam por que razão Trump bateu Hillary Clinton, basta olhar para aquilo que ele representou na campanha: uma alternativa ao sistema, uma defesa intransigente do povo americano, prometendo 25 milhões postos de trabalho na próxima década, através do aumento do PIB e da descida de impostos para as empresas. Donald Trump garantiu ainda que ia apostar numa política protecionista, contrariando décadas de comércio livre. Na verdade foi este discurso que lhe garantiu a vitória. E é também para isto que a Europa deve olhar. As instituições, cá e do outro lado do Atlântico, falharam. Os políticos e o sistema tradicional também. Foi combatendo tudo isso que a sociedade americana escolheu Trump. Mas o futuro presidente dos americanos sabe que, agora que lhe calhou a fava, não pode cumprir nem metade do que prometeu, sob pena de originar a implosão de uma potência decisiva no tabuleiro geoestratégico mundial, como são os Estados Unidos da América.  Esta é a maior lição que o mundo, e sobretudo a Europa, têm de aprender: ou se olha à séria para os falhanços das políticas e dos líderes atuais ou então, corremos o risco de sermos esmagados pelos tais extremismos que acenam de todo o lado.


*Crónica de 14 de novembro, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

8 de novembro de 2016

Cadernos da vida.


Frase Platónica do Dia. Dos cadernos da Vida.

Alterações climáticas: a dura batalha pela sobrevivência.

Pacífico Sul.

Na passada sexta-feira entrou em vigor o Acordo de Paris. É dele que hoje quero falar nesta antena.

Já chegamos a um ponto extremo. Ultrapassamos, enquanto sociedade coletiva, todas as barreiras perigosas. Estados, governos, empresas e cidadãos, todos temos culpa na destruição que provocamos a este canto onde vivemos.

Tínhamos a obrigação de deixar por cá um lugar melhor do que aquele que recebemos. Mas, como bons seres humanos que somos, fizemos precisamente o oposto.

Décadas e décadas de acordos e cimeiras ambientais falhadas, chegamos a 2016 e percebemos as consequências dos erros e omissões a que todos fechamos os olhos no passado. O Planeta não aguentou, o Planeta já está em gritos ferozes. E nós, sim, somos os principais culpados.

A entrada em vigor do Acordo de Paris abre caminho a mais negociações sobre o clima servindo ainda de incentivo a outros países no sentido de limitar o aquecimento global abaixo dos dois graus centígrados.

E o cenário é dramático. Só a China representa20% das emissões globais, e os EUA, 18. Ambas as potências ratificaram o Acordo no início de setembro e isso já é uma luz de esperança.
Sumatra, Indonésia.

Mais do que os esforços são necessários, a meu ver, é fundamental não esquecer um ponto importante e crucial, e que tem que ver com a ajuda financeira aos países do sul. Em 2009, os países ricos prometeram 100 mil milhões de dólares por ano, a partir de 2020, para ajudar as nações em desenvolvimento a financiar a transição para energias limpas e a adaptação aos efeitos do aquecimento, dos quais são as primeiras vítimas.

É por tudo isto que a batalha para repor o mal que fizemos por cá, começa em cada um de nós, nas nossas casas, nos gestos e comportamentos diários.

Seja na separação do lixo, seja em práticas mais sustentáveis de mobilidade, seja na alimentação, no ato de ligar ou desligar um aparelho ou um interruptor, seja na forma como reutilizamos os nossos recursos. Cada ação individual conta e conta muito, acreditem!

A juntar a tudo isto, esperamos que esta segunda-feira, em Marraquexe, na Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, que irá debater os progressos realizados desde a Cimeira de Paris, a esperança continue a ser possível para a Humanidade.

Em cima da mesa estará o Acordo de Paris, adotado na COP21 e em vigor desde sexta-feira, tendo como objetivo principal o seu cumprimento, adaptação, transparência e capacidade de minimizar os riscos inerentes.

Por fim, deixo uma sugestão aos nossos ouvintes. Recentemente passou na RTP um documentário sobre as alterações climáticas protagonizado pelo conhecido ator, Leonardo DiCaprio.
Argentina

Além da verdade que já sabíamos, mostrada em tantos outros documentários, este é um trabalho que nos fere a alma, que relata a dureza ambiental no mundo, desde as alterações climáticas à ganância desmedida de multinacionais por todo o mundo e onde o petróleo é ainda a fonte de todos os males.

O trabalho pode ser visto na internet na íntegra. Convido os ouvintes a vê-lo. Porque a nossa rua, a nossa cidade, o nosso país e o Mundo já estão em perigo e todos nós somos chamados a ajudar.

Ou fazemos já alguma coisa ou os nossos filhos e netos terão, pela frente, uma dura batalha pela sobrevivência.


*Crónica desta segunda-feira, 7 de novembro, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

Fotos: Before the Flood

7 de novembro de 2016

Frases Platónicas. Dos cadernos da vida.


Acedendo ao repto de um amigo desta casa, iniciamos hoje, neste simples espaço, uma nova coluna. Frases soltas dos meus cadernos, de anos, de hoje, e que vão ficando, registados, ou simplesmente ecoam na espuma dos dias. #Frasesdevida@ac.platonismo#

6 de novembro de 2016

A febre "Web Summit"


A imprensa é boa. O objetivo, aparentemente, também. Vem aí o Web Summit, que aterra em Lisboa entre 7 e 10 de novembro. O mundo, já o sabemos, é tecnológico. As novas meninas do mercado - as startups - precisam de empurrões e esperam que esta semana seja um bom presságio para potenciar o seu modelo de negócio. É certo que a cimeira tecnológica traz desenvolvimento à cidade, boa fama ao país que precisa de empurrões deste tipo, impulsiona o turismo e faz rodar os euros. Mas até que ponto o retorno anunciado até à exaustão pela "boa imprensa" é real? Veremos. E esperemos que o seja.

P.S. - O preço dos bilhetes é terrorífico. Por mais que tente não consigo perceber os valores. 

Before the Flood: antes que a destruição chegue mais depressa!



É assustador. É dramático. Mas mostra à Humanidade aquilo que teimamos em não ver. A negação de uma população mundial. "Before de Flood" antecipa o que já é presente. E que depende de cada um de nós mitigar o mal que temos por cá andado a espalhar.