Platonismo. Um companheiro de vida.

Ser jovem em Portugal é uma tarefa complicada. Ter como interesse principal a política ainda mais. Platonismo Político é o inverso do que se pretende. Platão não agradece, mas eu agradeço a Platão ter existido.

2 de março de 2015

Com amor, dedicado a Pedro.


No passado fim-de-semana o País foi confrontado com a notícia de que o primeiro-ministro acumulou dívidas à Segurança Social, entre Outubro de 1999 e Setembro de 2004. Pedro Passos Coelho terá, entretanto, pago voluntariamente no mês passado, cerca de quatro mil euros. O caso é complexo, já que tratando-se de dívidas à SS, é difícil perceber pelas notícias veiculadas, a que rendimentos respeitam os montantes e por que deixou o sistema prescrever algumas delas. Na verdade, e apesar de as informações não serem totalmente claras, o mais importante não são os pormenores, mas sim a substância do caso. Estamos a falar de um homem, que desde o primeiro instante, aplicou, sem complacência, um programa de austeridade ditado pela Troika. Um político que sempre defendeu a austeridade e que as dívidas são para pagar. Um primeiro-ministro que cortou a eito, impulsionado pela cegueira de que os governos socialistas sempre foram despesistas e que o dele, com Vítor Gaspar à cabeça, é que era o bom e havia de dar frutos. Pois bem, na verdade, em política, como todos sabem, não basta parecer, é preciso ser. E parece-me a mim difícil fugir-se ao pagamento de contribuições sem se ter noção disso. Quem passou anos a emitir recibos verdes, como é o meu caso, sabe do que fala. E sabemos também que passar recibos verdes provoca a sensação de que trabalhamos para pagar impostos e descontos. Entretanto temos o ministro da tutela, Pedro Mota Soares, a desculpabilizar o seu chefe, argumentando que Passos foi «vítima de erros da própria administração», à semelhança de milhares de portugueses. Os mesmos portugueses que nunca viram o sistema perdoar-lhes nem uma dívida de um cêntimo. Que, pelo contrário, sempre viram o sistema ameaça-los com penhoras. Mais grave que ter dívidas à Segurança Social é o carácter das pessoas. E é precisamente neste ponto que Pedro Passos Coelho fica numa posição sem margem para grandes desculpas. Não se pode pedir sacrifícios e austeridade do alto da governação de um país quando o exemplo que se dá é o pior. No caso, o exemplo não vem de cima, mas sim de baixo, já que os milhares de recibos verdes deste país que deixaram de pagar, fizeram-no por dificuldades económicas e, a maioria, assumiu-o desde o início. Este é só mais um exemplo que mostra o descrédito dos políticos do nosso tempo. Uns fogem ao Fisco, outros à Segurança Social. No entretanto, prova-se mais uma vez que, perante a Constituição, e no mesmo nível de igualdade, há os cidadãos da República que o sistema tudo perdoa, e os outros, os de segunda, perseguidos e sem direito ao mesmo tratamento. Talvez um dia a História mude o curso da sorte, dos privilégios e das espinhas tortas e esvaziadas de tudo.

*Crónica de 2 de Março na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

1 de março de 2015

Os perigosos caminhos de Costa.


«Os radicais, que por aí andam às costas da miséria, não percebem isso e tratarão de criar toda a espécie de sarilhos dentro e fora do PS para levar Costa ao bom caminho». A frase é de Vasco Pulido Valente este domingo no seu espaço de opinião no Público. E diz mais: «ninguém confia o seu dinheiro a um regime fraco, turbulento e, ainda por cima, radical». Pulido Valente revela ainda temer que uma possível ligação entre o PS, o PDR e o Livre possa colocar o país numa situação ainda pior que a de 2011, quando se deu início à crise. Pulido Valente diz em alto e bom som, com coragem, aquilo que muitos socialistas pensam em silência. Costa tem mostrado entrar por caminhos perigosos, dando a mão ao populismo de esquerda, que, não é pior nem melhor, que o de direita.

27 de fevereiro de 2015

V. De Varoufakis.


Quando vi, pensei: «os alemães não têm jeitinho nenhum para o humor». Mas depois, até que nem lhes saiu mal a sátira. O comediante alemão Jan Böhmermann soube o que fez, tratando o ministro sensação do momento como «Exterminador». A «dívida andante» que os germânicos temem é que não é bem assim. Vale pelo momento.

25 de fevereiro de 2015

Santana Lopes no seu melhor.




Quando Pedro Santana Lopes se lança num objectivo perde a noção da racionalidade. Quem o conhece, nos bastidores das campanhas, na luta político-partidária, sabe isso melhor que ninguém. A meta agora é Belém. Com avanços e recuos, de quem anda perdido, quer mas não sabe quem também avançará. Contudo, o que o antigo primeiro-ministro disse ontem à noite na SIC-Notícias, era escusado. Diz Santana que os portugueses são «muito samaritanos» e que ao verem o Syriza como «um partido simpático» saíram em sua defesa. «Tenho a percepção que há da parte dos portugueses uma solidariedade com os coitadinhos, os fracos, e os desprotegidos, sejam de direita ou esquerda. Acham o Syriza simpático e não gostam que o maltratem», afirmou. Lamentáveis e despropositadas estas tristes declarações.

24 de fevereiro de 2015

Cumprir horários? É tempo. E tempo tem de ser dinheiro.


Hoje vou abordar uma questão que, à primeira vista, parece banal, mas reflectindo nela com algum cuidado, percebe-se, de imediato, que é mais do que um mero problema secundário. Falo do eterno dilema português em cumprir horários. Em Portugal, por mais crises que haja, por mais dificuldades que se instalem, há coisas que realmente nunca mudam. E receio mesmo que nunca venham a mudar. O chegar a horas aos compromissos é uma delas. Por que raio neste país os atrasos são cultos instituídos? De onde veio, afinal, o ritual dos atrasos que se verificam de forma transversal e em todos os sectores de actividade? Seja no emprego ou na vida pessoal é um clássico neste país chegar atrasado. Uma reunião está marcada para as nove da manhã e nunca estão todos os convocados à hora estipulada. Um almoço está agendado para as 13 horas e há sempre um ou outro que se atrasa. Marca-se um evento para as quatro da tarde e só começa meia hora depois porque pessoa X ou Y teve um imprevisto. Na verdade, os atrasos são mais culturais que outra coisa. Por mais que se combatam, por mais que sejam criticados, os factos provam precisamente que, enquanto povo, somos assim. Não há nada a fazer. Mas, pior do que chegar atrasado, é a falta de respeito, sempre presente, para com os que cumprem, os que chegam a horas, os que não vacilam. Este é um tema que me é caro. Muitas são as vezes que me dizem que eu sou tudo menos portuguesa nesta matéria. Sim, chego a horas aos meus compromissos. Sim, respeito os prazos. Sim, cumpro os horários e as minhas responsabilidades. E sim, respeito o outro, quando não falho com as horas. Porque para chegar a horas, provavelmente levantei-me mais cedo, se calhar dormi menos uma hora e sacrifiquei-me para ser cumpridora. Contudo, em Portugal a prática prova o contrário: são os incumpridores os respeitados. São os irresponsáveis aqueles que são tidos em conta e para com os quais se tem tolerância mil. É, por estas e por outras, que com hábitos assim, culturalmente instituídos e aceites, não saímos da cepa torta. Os ouvintes dirão que esta é uma questão menor. E até pode ser, mas juntando todas as questões menores de uma sociedade, percebemos porque somos atrasados, porque não produzimos riqueza e porque somos assim a modos que uns baldas. É certo que não é só um problema colectivo, é essencialmente algo que está no sangue de cada um. Eu, por mim, não me importo nada que me chamem uma chata em matéria de horários. Porém, custa-me que, nesta matéria, me sinta sempre refém e minoritária, porque quem cumpre horários em Portugal, pelos vistos, está desintegrado e vive fora da caixa instituída. Ainda assim, continuo a ter esperança que a sensatez um dia faça milagres.


*Crónica de 23 de Fevereiro de 2015, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

Não vamos à Expo 2015. E depois?


«Tem Portugal uma política externa própria? (…) Não vamos à Expo'2015 (em Milão) por oito milhões de euros. É a imagem da nossa miséria». A frase é de Fernando Sobral, no Negócios. Há coisas que não entendo. Se gastamos rios de dinheiro em acção A ou B somos ricos, se não vamos porque é caro e o país não pode (ainda que sacrificando a promoção externa) somos pobres e miseráveis. Quando não há dinheiro não há vícios e temos de continuar o nosso trabalho mediante o que é possível. Não é assim nas empresas? Não é assim nas nossas casas? Não entendo, admito. Mas se calhar sou só eu que penso à pobretana.

23 de fevereiro de 2015

Seremos sempre Zeca!


Zeca Afonso deixou-nos há 28 anos. Será sempre um símbolo e um exemplo para muitas gerações antes e depois dele. Porque hoje e sempre, somos Zeca.

22 de fevereiro de 2015

A noite é deles e, como sempre, é longa.


Seguidismo penoso.


«O programa da troika é incompetente (...) e foi feito à bruta, ignorando a realidade portuguesa como a procura interna, o endividamento das famílias e das empresa». A frase é de Silva Peneda, presidente do CES, em entrevista concedida este domingo ao JN. É pena que os seguidistas desta política não o tenham dito há três anos... É também penoso a linguagem política cada vez mais na berra. «À bruta»? Não há mesmo comentários dignos a fazer...

21 de fevereiro de 2015

Fisco. O «bicho papão» de que muitos ainda têm medo.


Todos os anos quando chega o momento de entregar o IRS são dores e dores de cabeça por aqui. Por aqui, e calculo que por milhares de lares, onde não há contabilidade organizada. Desde que me lembro de ser gente, sempre chamei a mim a responsabilidade de fazer o meu IRS. Dá trabalho? Dá. E muito. Entre conferir declarações de rendimentos com recibos mensais, facturas e mais facturas, nos últimos anos e desde que começou a revolução informática do Fisco, que o cenário melhora. Os contribuintes ainda continuam a ter, na sua maioria, um sentimento de distância em relação às Finanças. Compreende-se, já que durante décadas a imagem que tínhamos dele era a de um «bicho papão». Sê-lo-á sempre se a nossa atitude, enquanto contribuinte, for passiva. Sempre perguntei, sempre fui para as filas, demore isso o tempo que for, para me informar, para me explicarem o que eu não entendo. E não saio de lá sem o que quero. Serve este post para dizer que cada vez mais a máquina oleada do Fisco serve para nos ajudar. Muitos chamar-me-ão louca, mas posso garantir que assim não o é. Hoje há números de telefone disponíveis para solicitar ajuda. Em qualquer repartição há igualmente uma mudança no funcionário que nos atende, claramente com mais formação e capacitado para nos esclarecer. Para já não falar de que podemos resolver tanta coisa à distância de um clique na nossa conta pessoal no portal das Finanças (repleto de informação útil, prazos e agendas fiscais). No ano passado, quando surgiu pela primeira vez, os reembolsos em facturas de restaurantes, cabeleireiros e oficinas, muitos entravam no e-factura e desistiam minutos depois. Pois aqui está o problema, desistir é sempre a pior decisão. Um ano depois o sistema está mais aperfeiçoado, e, a verdade é que o serviço, ao contrário da maioria das vezes (em que pagamos), existe em nosso benefício. Em 2015, o Estado alarga o benefício de quem pede factura a todas as compras efectuadas pelas famílias com tectos máximos em cada área. Tudo isto resume, em muito, o que há anos defendo: o combate à economia paralela. Muitos dirão também, que o cerco fiscal e os benefícios em sede de IRS só surgem porque a Troika assentou arraiais e é preciso cobrar receita. Em parte é verdade. Mas também é verdade que cada um de nós, se paga os seus impostos,não tem por onde fugir. Então por que razão as empresas o podem fazer? Pedir factura é contribuir para um sistema equitativo de cobrança de impostos. Se eu pago IVA quando peço um café, então esse IVA tem de ser entregue ao Estado e não ficar no bolso das empresas, como assim aconteceu durante anos. Ou então cobrem-me o café sem o IVA. É um exemplo ridículo, bem sei, mas se o replicarmos em todas as actividades económicas, estamos a falar de valores astronómicos. O meu maior medo é que esta revolução fiscal (em que cada contribuinte é também um inspector tributário recebendo em troca um mísero reembolso) se revele um fracasso e não vingue. A mudança cultural de um país, a equidade entre cidadãos também é isto. Aos amigos e familiares que por estes dias me telefonam com dúvidas em relação ao e-factura (e por um lado me consideram uma obcecada das facturas) só tenho uma coisa a dizer: fico extremamente feliz por ver que cada um de vós está a mudar e querem reaver um reembolso que é vosso por direito.  Acredito que este seja o caminho. E só assim será possível inverter o louco, penoso e injusto aumento de impostos a que o país for sujeito nos últimos anos. 

Há imaginação para tudo.


Legislativas 2015. Haja paciência, que escolha não falta!

Nas legislativas deste ano vão-se somando as forças políticas que vão a jogo. 
Num momento em que cada vez é maior o fosso entre eleitos e eleitores, e em que as democracias europeias vivem há muito crises de valores, ideológicas e políticas, há 26 partidos a concorrer às eleições legislativas de 2015 em Portugal. 
Haja paciência porque escolha aos eleitores há de sobra.

Presidenciais agitam-se. Largo do Rato sob pressão.


«António Guterres não é obrigado a ser candidato (a Belém) mas tem obrigações perante o PS, a democracia e o país». A frase sai assim, seca e directa, da boca de Manuel Alegre, neste fim-de-semana ao Expresso. O antigo deputado-poeta e ex-candidato a Presidente da República aumenta, assim, a pressão sobre o PS, António Costa e o próprio Guterres. As presidenciais agitam-se. Cedo demais, dizemos nós. Enquanto isso ninguém quer saber das legislativas, que ocorrem antes. 

19 de fevereiro de 2015

'O Bom Aluno nunca Desilude o Mestre'.


Frases que podiam integrar a categoria ‘O Bom Aluno nunca Desilude o Mestre’:

  • «Pecámos contra a dignidade dos cidadãos na Grécia, Portugal e muitas vezes na Irlanda também». Jean-Claude Juncker.


  • «Portugal é a melhor prova», Wolfgang Schäuble sobre os efeitos positivos dos programas de ajustamento.

18 de fevereiro de 2015

Chegou o COM.Escolha. Um portal que ajuda a evitar abusos.


Tem sido para muitos uma dor de cabeça. Mas os abusos, denúncias e lamentos dos consumidores sobre os vários pacotes de tarifários integrados têm sido mais que muitos. Por essa razão, a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) introduziu novas funcionalidades no comparador de tarifários ‘COM.Escolha’, de modo a ajudar os consumidores a fazer uma análise mais completa dos vários tarifários de Internet, telemóvel, telefone fixo e televisão. Conheço vários casos de cidadãos que viram as suas vidas a entrar no Inferno quando tentam mudar de operadora e de repente tropeçam em burocracias, custos e barreiras. Muitas vezes por falta de informação. O caso mais comum prende-se com as quebras de contrato quando este ainda vigora no período de fidelização. Eu própria há meio ano mudei de operadora passando a ter tudo integrado num pacote único. Garanto que não é fácil, com contratos e cláusulas dúbias. Mas tudo depende de se ler tudo, até ao fim. Sim, mesmo aquelas folhas A4 a letra 5 e incompreensível quase. Por tudo isto, e porque a ANACOM sabe e conhece os abusos, é muito bem-vinda a nova ferramenta ‘COM.Escolha’.