Platonismo. Um companheiro de vida.

Ser jovem em Portugal é uma tarefa complicada. Ter como interesse principal a política ainda mais. Platonismo Político é o inverso do que se pretende. Platão não agradece, mas eu agradeço a Platão ter existido.

31 de março de 2015

Esquerdas, direitas e sound bites.

Portugal continua em crise. Profunda. Ainda que todos os dias nos digam que o país está a recuperar. Mas, em jeito primaveril, começam a aquecer os discursos políticos rumo às eleições que estão para chegar. Num país normal a classe política e partidária devia estar a debater ideias, soluções e até mesmo consensos em matéria de legislativas. Contudo, e à boa maneira portuguesa, andamos entretidos com as presidenciais que só chegarão em 2016. A comunicação social ajuda à festa, trabalhando em cenários de especulação, fomentando ódios entre partidos e distraindo as pessoas do essencial. Entretanto, sem que o eleitorado dê por isso, vão-se formando uniões à esquerda a pensar nas legislativas que irão ditar o veredicto à política executada pela maioria PSD/CDS. Na verdade a esquerda parece andar à deriva, sem saber muito bem o que fazer, o que propor e como chegar lá. Enquanto António Costa chuta para Junho a apresentação do seu programa eleitoral, Joana Amaral Dias chega com o seu Ag!r repetindo argumentos anti-austeridade, com um discurso radical que soa bonito aos microfones mas que não representa absolutamente nada em termos de soluções e credibilidade. Pelo menos para já. O grande problema da esquerda em Portugal vem sempre ao de cima nas vésperas de cada acto eleitoral. Falo da sua incapacidade de se unir, de estabelecer pontes e de ultrapassar as diferenças do passado. É pena. Sobretudo num momento tão dramático e em que os portugueses tanto precisam dela. E quem lucra com esta fragilidade? Não duvidem que a direita aproveita cada farpa entre esquerdas, cada fosso que as separa, cada deslize em cada curva. Tristemente, as próximas legislativas correm o risco de serem as mais desinteressantes da história do país. Depois de quatro anos terríveis, e sob uma política económica e fiscal feroz liderada pela direita mais liberal, é a actual maioria que, ironicamente, se posiciona num lugar mais confortável, deixando a oposição anular-se a si mesma. O mais agoniante é olhar para o futuro e não termos alternativas de esperança em matéria de liderança política. Veremos como se comportará este ano o eleitorado, depois de uma Troika que arrasou, um Governo de direita que descarrilou e um Presidente da República que assinou por baixo. A História, essa, está escrita, nós é que ainda não a conhecemos.

*Crónica de 30 de Março na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR

30 de março de 2015

Conseguirá Miguel Albuquerque vencer o passado?




Depois de décadas de «jardinismo» o PSD-Madeira conquistou ontem, pela mão de Miguel Albuquerque, a sua décima primeira maioria absoluta consecutiva em eleições legislativas regionais. Foi até à última mas Albuquerque pôde finalmente respirar de alívio quando viu o 24.º deputado eleito, e evitando análises de fragilidade ante a anterior governação. Além da abstenção (que rondou os 50,28%) o PS foi o contemplado da noite, pelas piores razões, não conseguindo, mesmo em coligação, alcançar um resultado positivo. Resta saber que futuro terá o arquipélago com nova cara na governação. Miguel Albuquerque tem outro estilo e pode, a meu ver, ser uma lufada de ar fresco para garantir a estabilidade regional mas também a racionalidade. Com uma dívida altíssima e um endividamento excessivo as contas públicas insulares serão, assim, para começar, a grande dor de cabeça do novo líder madeirense. Veremos se o sangue novo será capaz ou se não resistirá à velha herança do «jardinismo». Para o diálogo com o Governo da República também é capaz de fazer diferença uma nova forma de estar na política, dizemos nós...

28 de março de 2015

Penhoras. O drama aqui tão perto.










Na Visão desta quinta-feira as penhoras que asfixiam empresas e cidadãos é tema de um trabalho essencial da revista. À medida que lemos a reportagem somos confrontados com uma realidade que nos despe de tudo. O mais dramático? A insolvência dos particulares. Mais do que palavras ficam os relatos, duros, demasiado duros, nas imagens que retiramos da edição. Parabéns à Visão e a um jornalismo de cidadania. 

26 de março de 2015

A «incapacidade de revolta» do povo português.




Sempre gostei da frontalidade de João Botelho. Um pouco excessiva, por vezes, mas igualmente necessária. Também sou fã de alguns dos seus filmes que, fazem dele, um dos melhores que temos. Esta quinta-feira dá uma entrevista à Lusa e mostra-se como só ele sabe. Grita aquilo que muitos de nós, meros anónimos, também pensamos: «tanto no passado como hoje, os portugueses são passivos, (…) pensar é um crime (em Portugal). Não há elites em Portugal, não há pessoas que arrastem os outros. Na Alemanha queriam inaugurar [uma nova sede] do Banco [Central] Europeu e partiram aquilo tudo. Em Portugal, ninguém se mexe, está tudo a ver 'O Preço Certo'. Esse tipo de coisa mantém-se, essa passividade portuguesa, essa incapacidade de revolta. Os miúdos hoje estão todos anestesiados, não lutam. Eu andei a partir coisas quando era novo». Com todo o respeito por ‘O Preço Certo’, ora aqui estão verdades que partilho na íntegra. Doem? Doem. Mas haja alguém que as solte à rédea solta. João Botelho deixou-nos ainda uma excelente notícia: o seu próximo filme, que deverá estrear dentro de dois anos, chama-se ‘Peregrinação’. Essa mesmo que estão a pensar, do nosso génio Fernão Mendes Pinto. A cultura (que ainda resiste) nacional agradece.

25 de março de 2015

Parabéns à VISÃO!


Parabéns à VISÃO pelos 22 anos que hoje completa. Uma revista com identidade, que viveu com espinhos e doces, durante estas duas décadas. Um pouco como tudo na vida. Sem ela, o panorama jornalístico nacional, claramente não seria o mesmo.

«Rio, o que mais se aproxima das minha convicções».

A apresentação oficial como candidato a Belém 2016 é esta tarde e a frase do dia já Henrique Neto a disse numa entrevista ao DN: «Marcelo é o candidato de direita que mais receio. Rio, o que mais se aproxima das minhas convicções». Uma espécie de resposta aos dirigentes do PS que por aí andam a ser deselegantes com Henrique Neto. Goste-se ou não do empresário da Marinha Grande há uma história que o liga ao PS. E isso merece respeito. Os ajustes de contas entre os apoiantes socráticos e o próprio Henrique Neto um dia hão-de chegar.

'2016: reforma política, reforma do Estado'.


Numa organização conjunta dos Manifesto “Por uma Democracia de Qualidade” (2014), Manifesto “Despesa Pública Menor para um Futuro Melhor” (2013) e Manifestos “Energia para Portugal” (2010, 2011 e 2012) com os blogues: 4R - Quarta República e Avenida da Liberdade e a participação dos blogues Corta-Fitas, Estado Sentido e O Insurgente, realiza-se a 30 de Março (das 09:00 às 18:30), no Salão Nobre da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, a conferência '2016: reforma política, reforma do Estado'. Para quem quiser assistir e participar fica aqui o programa. 

Os avanços e recuos de Joana.


Não tenho nada contra Joana Amaral Dias, nem pessoal, nem profissionalmente. E digo já ao que venho: quem muda de opinião é porque reconhece que está errado e mostra ser inteligente. Contudo, aquela velha máxima de que não se muda de clube, de religião ou de partido político, admito, aplica-se aqui de forma exemplar. Depois do casamento com o BE, do namoro com o PS, e do 'Juntos Podemos' eis senão que chega agora o Ag!r, onde Joana se junta agora ao Partido Trabalhista Português. Basicamente, tal caminho é revelador de uma falta de visão enorme, uma espécie de brincadeira e que vai enfraquecendo a esquerda ou as esquerdas, como quiserem. E assim vamos nós, criando vazios de alternativa num momento em que não sabemos se o país anda ou recua.